As Glórias de Sri Radha

Narottama Dasa Thakura
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As Glórias de Sri Radha

Em 2007, em honra ao Sri Radhastami, Srila Bhaktivedanta Narayana Gosvami Maharaja proferiu dois discursos sobre as glórias de Srimati Radhika; um na véspera do Radhastami e outro na manhã seguinte. Srila Maharaja falou em sua língua mãe, Hindi, e suas palavras foram traduzidas simultaneamente por Akhilesh Dasa Adhikari para a língua inglesa à platéia. Este é o seu discurso na véspera do Radhastami.

S ri Krisna estava em Vamsivata, o local da dança da rasa, mas Ele não estava feliz. Ele queria realizar passatempos amorosos, mas Ele estava completamente sozinho. Srimati Radharani então apareceu do seu lado esquerdo, e Sankara (Siva), Sri Gopisvara, apareceu do seu lado direito como guru-tattva. Radha correu para Krsna com grande prazer. Ra está relacionado a anuragi, que significa “profunda ligação amorosa espiritual “, e Dha está relacionado a dhavati, que significa “correr muito rápido, com grande avidez.” Krsna adorou a própria Radha, e portanto, Seu nome tornou-se Radhika.

Quando Krsna apareceu pela primeira vez em Gokula, Narada veio receber o Seu darsana e pensou: “Krsna nunca aparece sozinho. Sua hladini-shakti (potência de prazer) também deve ter nascido. “

Nesse meio tempo, Vrsabhanu Maharaja permanecia em Raval, onde diariamente tomava banho no rio Yamuna. Certa vez, quinze dias após o nascimento do Senhor Krisna, logo após tomar seu banho, Vrsabhanu Maharaja avistou uma belíssima flor de lótus de mil pétalas no Yamuna. No meio dessa flor de lótus havia uma linda menina chupando o dedão e movendo suavemente suas mãos e pernas. Ao vê-lA, ele imediatamente pegou-A em seus braços, levou-a para sua esposa Kirtika, colocando-a em seu colo. Muitas pessoas não conhecem Radhika como a filha de Kirtika-devi; Quase todos A conhecem como a querida filha de Vrsabhanu Maharaja.
Logo após o aparecimento dessa tão doce menina, Narada foi à casa de Vrsabhanu Maharaja e perguntou a ele: “Nasceu alguma criança aqui recentemente?”

Vrsabhanu Maharaja respondeu: “Sim, uma criança chamada Sridama.”

Narada então abençoou Sridama e perguntou: “Nasceu alguma outra criança aqui mais recentemente?”

Vrsabhanu Maharaja respondeu: “Sim, há alguns dias, uma menina nasceu; Fui abençoado com uma filha. “

Narada perguntou a Vrsabhanu Maharaja: “Posso ver sua filha? Quero fazer o seu mapa e abençoá-la. E descreverei suas qualidades futuras. Por favor, reúnam candana, água do rio Yamuna, e outros apetrechos para que eu possa realizar uma cerimônia para abençoá- la “.

Vrsabhanu Maharaja então foi para dentro de casa, e Narada entrou em transe através da meditação. Enquanto ele estava meditando, o bebé se manifestou na forma de uma belíssima jovem. Lalita e Visakha também estavam presentes, e Lalita disse a ele: “Por que você está meditando sem parar? Levante-se e ofereça reverências. “

Narada então recebeu um darsana momentâneo de Radhika, mas porque sua sede em vê-la não foi saciada, ele foi para o Narada Kunda e realizou austeridades por milhares de anos, sem comer, e continuamente cantando o nome de Radha na forma de mantra em sua japa. Naquela época Radharani apareceu diante dele, deu-lhe o Seu serviço, e ele se tornou Naradiya Gopi. Sabemos desses detalhes através do sastra (escrituras sagradas).

O Srimad-Bhagavatam afirma: “Ete camsa-kalah pumsah krsnas tu bhagavan svayam – Krsna é a original Suprema Personalidade de Deus.” Embora Sri Krisna seja o Senhor Supremo, adorado por todos, ele mesmo adora Sri Radha. O objetivo do autor, Srila Vyasadeva, ao manifestar o Srimad-Bhagavatam, foi descrever os passatempos de Sri Krisna com Srimati Radhika e estabelecer as glórias Dela. Srila Sanatana Gosvami e Srila Visvanatha Cakravarti Thakura dizem que a rasa-lila (dança das doçuras transcendentais), o passatempo mais exaltado no Srimad-Bhagavatam, foi realizado por causa de Srimati Radhika. Krsna pessoalmente lhe disse: “Apenas por você eu vivo em Vraja.”

sata-koti Gopi madhava-man
rakhite narilo Kori Jatan

(versículo 11 de Varaja-vipine)

[“Mesmo milhões de donzelas vaqueirinhas são incapazes de agradar a mente de Madhava, embora estejam se esforçando para isso.”
“A canção da flauta chama por Radhika: ‘Venha ao meu encontro Radhe!!!’ Syama chama durante a noite. (versículo 12)
“Quando a sri-rasa-mandala chega ao fim, em busca de Sua amada Radha Ele então se vai. (versículo 13)
“Por favor apareça, Oh Radhe! Por favor, salve minha vida! “Gritando enquanto chorava, Ele perambulava na floresta. (versículo 14)
“Em um arbusto isolado abraçando Radhika, Hari recupera sua vida e alma, e recebe alívio. (versículo 15)
“Dizendo: ‘Sem Você, para onde foi a dança da rasa? Apenas por você eu vivo em Vraja.” (Versículo 16)
“Aos pés de lótus de tal Radhika, este Bhaktivinoda implora em prantos: (versículo 17)
“‘Entre os Seus associados pessoais, por favor, conte-me como um deles. Fazendo-me tua serva, mantenha-me como Sua posse. ‘”(versículo 18)]

Embora milhões de gopis estivessem também presentes na arena da rasa, elas não podiam atrair a mente de Krsna quando Radhika desapareceu da rasa-lila em maan (sentimento de raiva transcendental). Radharani desapareceu primeiro da rasa-lila; Krsna não desapareceu sozinho. Ele deixou a dança da rasa em busca Dela. Muito preocupado e se lamentando: “Radhe Radhe”, Ele finalmente A encontrou.
As outras gopis, que tinham deixado a dança rasa em busca de Krsna, agora viam duas marcas de pegadas. Uma era a pegada de Krisna, e a outra, menorzinha e mais delicada, pertencia à uma donzela.
Lalita e Visakha, e as outras gopis do grupo de Sri Radha, que vinham procurando tanto por Radha quanto por Krisna, sabiam que essa segunda pegada pertencia à Srimati Radhika. Muito satisfeita, elas pensaram: “Oh, Krsna não está sozinho! Ela roubou o nosso prana-priya ( o mais querido) sakhi! Ao mesmo tempo, no entanto, elas estavam tristes, pensando: ” Nós não poderemos servi- lA agora, porque não estamos com Ela.”

As outras gopis, aquelas que não estão no grupo de Radha, proferiram este verso:

anayaradhito nunam
bhagavan Harir isvaraḥ
yan no vihaya govindah
prito yam anayad rahah

[“Evidentemente, esta gopi específica, vem adorando de forma perfeita a Personalidade de Deus plena de poder, Govinda. Ele estava tão satisfeito com Ela que nos abandonou e a levou para um local isolado.” (Srimad-Bhagavatam, 10.30.28 )]

“Oh, essa garota que está com Krisna é tão afortunada! Krsna a levou consigo, e dessa forma esmagou nosso orgulho (saubhagya-mada).” As gopis compreenderam que essa menina era superior à elas: “Ela certamente serviu Narayana e O satisfez, e devido as bênçãos de Narayana, Krsna apenas levou- A. “Dessa forma, Radhika é a mais elevada de todas as amadas de Krisna, e a rasa-lila foi realizada a fim de estabelecer Sua superioridade. Essa dança foi realizada para o prazer delA.
Todas as gopis cantaram sua singela canção de separação, e após isso, Krsna apareceu à elas e proferiu este verso:

ma paraye ham niravadya-samyujam
sva-sadhu-krtyam vibudhayusapi vah
ya mabhajan durjara-geha-srnkhalah
samvrscya tad vau pratiyatu sadhuna

[“Eu não sou capaz de quitar meu débito para com vosso serviço imaculado, mesmo com uma vida de Brahma. Vossa ligação comigo está além de qualquer censura. Vocês Me adoraram, cortando todos os laços familiares, que são tão difíceis de quebrar. Portanto, por favor, deixem que seus próprios atos gloriosos sejam a vossa recompensa. (Srimad-Bhagavatam, 10.32.22)]

“Oh gopis, por minha causa vocês deixaram para trás vossa timidez, as instruções de seus superiores, e suas vidas como chefes de família, cujo objetivo era mantê-las confinadas. Através de vossa santa natureza, possa vocês me libertarem do Meu débito.”

Uma das formas da qual Radhika satisfaz Krsna é entrando em um estágio amoroso chamado maan, Seu humor zangado de afetuosa raiva ciumenta com Ele. Às vezes Seu maan não tem qualquer causa externa, e às vezes tem uma causa específica. As gopis vipaksa (rivais), lideradas por Candravali, criticam Radharani, dizendo: “Ela não se envergonha ou se sente tímida em fazer maan? Eu não quero ver a face dela.” Por outro lado, Radhika critica Candravali: “Candravali não conhece nada sobre agradar a pessoa amada. Ela não sabe como fazer maan.” O afeto de Candravali por Krsna é grta-sneha, muito suave. O afeto de Radhika é madhu-sneha, como madhu, mel, cuja característica é a suavidade e também a doçura. A afeição de Candravali é comparada ao ghee, que precisa do açúcar para se tornar doce, mas madhu é dulcíssimo por si mesmo.

Os estágios do amor de Radhika são: adiruddha, mohan e madan mahabhava. Estes estágios de amor são tão supremamente elevados que o próprio Krsna não pode experimentá-los. Por essa razão, a fim de saboreá-los, Krisna aparece em Sri Navadvipa dhama, junto com seus associados, na forma de Sri Caitanya Mahaprabhu. Para esse mesmo propósito, Mahaprabhu foi encontrar-se com Sri Raya Ramananda em Godavari e lhe fez muitas perguntas.
Nos passatempos de Sri Krisna, Raya Ramananda é Visakha-devi, a gopi amiga de Radharani, que compreende todos os Seus humores. Esta mesma Visakha, na forma de Raya Ramananda, ensinou Mahaprabhu a realizar esses humores. Após esse encontro, Mahaprabhu lhe disse: “Eu estou tão satisfeito! Esta é a razão pela qual Eu vim. Meus desejos agora se cumpriram. Por favor, venha para Jagannatha Puri e me ajude-me lá. “

Amanhã de manhã, vamos cantar as glórias de Radha e realizar abhiseka (a cerimônia do banho). Nós também ofereceremos puspanjali (as flores de nossos corações), por descrever suas glórias em detalhe. Então, sairemos em nagara sankirtana às casas dos devotos chefe de família para recolher presentes para Srimati Radhika, como fazemos todos os anos. Assim, voltaremos à Matha, com kirtana, e levaremos todos os presentes ao altar. Todos juntos sentaremos e participaremos de kirtana na Matha.

Gaura Premanande! Haribol!