Javata- A Morada Sagrada de Srimati Radhika

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Javata- A Morada Sagrada de Srimati Radhika

Javata é o local sagrado de Parakiya-rasa, de grande importãncia para os Gaudiya Vaisnavas, onde  Radha passou a maior parte de Sua vida vivendo com seu esposo Abhimanyu, e onde frequentemente se encontrava com seu amado Krsna. As glórias deste local são muito profundas, difíceis  de compreender. Cada parte da casa e da aldeia onde Radharani viveu são carregadas de intensos sentimentos de amor e separação. Apresentamos aqui uma homenagem a este mais sagrado local, e a nossa amada Srimati Radhika, trazendo as palavras do nosso querido Srila Gurudeva Bhaktivedanta Narayana Gosvami Maharaja, sob inspiração da oração de Srila Bhaktivinoda Thakura, no último dia do nosso Sri Vraja-mandala Parikrama 2016.

A Sagrada Casa de Srimati Radhika em Javata

A Sagrada Casa de Srimati Radhika em Javata

“Esse lugar é extremamente confidencial. O próprio Krsna reverenciou este lugar. Com exceção dos seguidores de Mahaprabhu, ninguém pode compreender a glória deste local. Os seguidores de outras sampradayas não sabem de tais glórias. Os seguidores de Vallabhacarya sampradaya, Nimbarka sampradaya e outras acham que as glórias especiais deste lugar não são relevantes. As glórias de tal local são raramente conhecidas.

Este lugar chama-se Javat. Ja-vat. Ao lado de uma linda figueira da bengala que proporciona sombra refrescante, fica o palácio de Srimati Radhika. Este é o lugar de Srimati Radhika. Srila Bhaktivinoda Thakura ora intensamente: ‘Oh Radha! Que eu possa nascer em Vrsabhanu Pura e que eu me case em Javat!’

 

 

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Bela oração escrita na parede de um dos cômodos da casa de Srimati Radhika

Javata (Yava-Grama)

A casa que Srimati Radhika morava com seu marido Abhimanyu e sua família

A casa onde Srimati Radhika morava com seu marido Abhimanyu e família

Javata, ou Yava-grama, fica aproximadamente a duas milhas a leste de Nandagaon, e é um dos locais onde o Divino Casal Sri Radha e Krsna viveram os mais elevados passatempos confidenciais. Não é possível descrever todos os passatempos que ocorreram aqui. Às vezes, rasika Sri Krsna enfeitava seu peito com javaka, um pózinho vermelho, dos pés de lótus de Srimati Radhika. Este local, que é decorado com uma bela vata, ou árvore de figueira, é conhecido como Javata ou Yava-grama.

Deidades de Jatila, Kutila e Abhimanyu

Deidades de Jatila, Kutila e Abhimanyu

A gopi Jatila costumava viver nesta vila com seu filho Abhimanyu e sua filha Kutila. Maharaja Vrsabhanu deu Sua amada filha em casamento, Srimati Radhika, ao filho de Jatila, Abhimanyu, sob a instrução de Yogamaya Purnamasi. Embora Abhimanyu tivesse a concepção de que ele era o marido de Srimati Radhika, pelo poder de Bhagavati Yogamaya ele não podia nem mesmo tocar a sombra Dela. Ao invés disso, por conta da timidez que sentia, ele sempre se ocupava cuidando de suas vacas no estábulo ou passava seu tempo com seus amigos. Jatila e Kutila permaneciam totalmente ocupadas em seus afazeres domésticos. Sob vários pretextos enganosos, as inteligentes sakhis providenciavam encontros secretos entre Srimati Radhika e Sri Krsna.

Na verdade, esses encontros eram arranjados por Yogamaya para nutrir a rasa amorosa de amante (Parakiya-bhava), porque Srimati Radhika é a corporificação da potência de prazer de Sri Krsna (hladini-sakti), e é a jóia preciosa entre as eternas amadas de Sri Krsna.

O quarto onde Srimati Radhika dormia sozinha, no terraço da casa

O quarto onde Srimati Radhika dormia sozinha, no terraço da casa

O fogo e a sua potência de queimar, ou o sol e sua luz, são intrinsicamente um por sua própria natureza, e não podem separar-se um do outro. Similarmente, Sri Krsna e sua para-sakti Sri Radha são eternamente não diferentes e inseparáveis um do outro. Eles são uma alma manifesta em duas formas, apenas para saborear rasa-vilasa. Ravana não pode tocar a original Sita. Ele só foi capaz de sequestrar sua sombra. Pode-se compreender o relacionamento de Abhimanyu e Srimati Radhika da mesma forma.

Um dos cômodos da casa de Srimati Radhika, hoje com várias orações escritas na parede

Um dos cômodos da casa de Srimati Radhika, hoje com várias orações escritas na parede

Maharaja Vrsabhanu construiu um belo palácio real para sua querida filha em Javata, onde Srimatiji vivia muito feliz com suas amigas. Todas as manhãs, Mukhara costumava vir aqui para ver sua amada neta. O Bhakti-ratnakara dá belos relatos sobre os passatempos que ocorreram aqui.

Certa vez, o desejo de Sri Krsna de se encontrar com Srimati Radhika era tão intenso, que Ele ficou completamente perturbado. Naquela noite, ansiando encontrá-la, Ele foi para Javata e esperou do lado de fora da mansão de Jatila sob uma árvore ber.  Subindo em um galho daquela árvore, Ele começou a fazer barulhinhos semelhante a um cuco preto (Kokila). Radhika e Suas amigas compreenderam que este kokila não era outro senão o audacioso Sri Krsna na árvore ber, esperando ansiosamente por encontrá-lA!

Linda árvore no jardim da casa de Radha

Linda árvore no jardim da casa de Radha

Mas sempre que Krsna tentava entrar na casa, a vigilante Jatila ouvia um som e gritava: “Quem está aí??”, e Krsna novamente se escondia nos arbustos. Isso seguiu por toda a noite, e as tentativas de Krsna para encontrar Srimati Radhika foram repetidamente frustradas! Ao final, Ele perdeu as esperanças e foi embora, profundamente deprimido.

Srila Rupa Gosvami descreveu esse incidente muito belamente em seu livro Ujjvala-nilamani (1.16):

sanketi-krta-kokiladi-ninadam kamsa-dvisah kurvato
dvaronmocana-lolankhavalaya-kvanam muhuh srnvatah
keyam keyam iti pragalbha-jarati-vakyena dunatmano
radha-prangana-kona-koli-vitapi-krode gata sarvari

Vista do terraço da casa onde Radha morava com Abhimanyu

Vista do terraço da casa onde Radha morava com Abhimanyu

Neste verso, uma sakhi está descrevendo o paradhinata de Sri Radha-Krsna da noite anterior para sua querida amiga: “Na última noite, Sri Krsna ficou sob uma árvore ber no pátio de Srimati Radhika, arrulhando como um kokila, sem parar! Srimatiji comprendeu o Seu sinal, mas sempre que Ela tentava abrir a porta, Suas pulseiras e tornozeleiras faziam um barulho tão alto, que até Sri Krsna podia ouvir! Da parte interna da casa, a arrogante velhinha Jatila repetidamente gritava: ‘Quem está aí?’ Ouvindo sua voz, Sri Krsna, com o coração angustiado, passou toda a noite sob a árvore ber.”

Possa Sri Javat ser vitoriosa por guardar consigo tão doces memórias.

 Jay Srimati Radharani! Jay Sri Javata ki! Jay!

 

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