A História do Ratha Yatra

As Glórias do Ratha-Yatra
11 de julho de 2021

A História do Ratha Yatra

Queridos leitores! Por favor, aceitem as nossas mais humildes reverências! Todas as glórias a Sri Sri Guru e Gauranga. Hoje dia 11 de julho de 2021, celebramos o divino festival das carruagens conhecido como o Ratha-Yatra. Em homenagem ao primeiro dia desse festival, oferecemos um trecho da história sobre o aparecimento do Senhor Jagannatha nesse mundo material, contada por Srila Bhaktivedanta Narayna Gosvami Maharaja no primeiro capítulo do seu livro A Origem do Ratha-Yatra!

Ratha- Yatra em Jagannatha Puri

O rei Indradyumna deseja muito trazer Nila-madhava (deidade de krishna de cor azulada) com ele, para adorá-lo por toda sua vida. Vindo de Ujjain, junto a sua comitiva, alcançaram o local onde ficava a aldeia, a uns duzentos quilômetros ao Sul de Puri, contudo ao chegarem lá, não havia sinal de flores de semente de mostarda, muito menos de aldeia ou de montanha. Pelo desejo de Nila-madhava, tudo naquela região fora coberto por mais de trinta metros de areia. E Nila-madhava desaparecera.


Desventurado, Indradyumna Maharaja fez um voto de fome: “não comerei até Nila-madhava me conceda o Seu darsana (visão). Mais vale morrer a não poder vê-lO”. Naquele momento, tendo começado a clamar “Nila-madhava! Nila-madhava!” e lembrar-se do Senhor, uma voz do alto interveio: “Não se preocupe. Não vou lhe dar darsana aí neste mundo, mas você poderá vir ver-Me em Vaikuntha. Pedi a Brahma para trazê-lo até Mim. Neste mundo material não lhe concederei darsana como Nila-madhava, mas Me manifestarei com Jagannatha, Baladeva, Subhadra e Sudarsana cakra. Espere perto da praia onde fica Banki-muhana, lá daru-brahma (Bhagavan sob a forma de madeira) emergirá da água como uma tora bem grande, fragrante, avermelhada e com sinais da sankha, cakra, gada e padma. Tire-Me da água e faça quatro deidades com essa madeira. Assim poderá Me adorar”.

Deste modo, o rei, a rainha e seus novos súditos esperaram pela chegada da tora de madeira vermelha marcada com os sinais auspiciosos. Quando finalmente viram surgir o tronco com as marcas transcendentais, ninguém, nem pesados elefantes nem soldados muito fortes, logrou tirá-lo da água. Seguindo nova ordem da voz vinda do alto, o rei convocou o Dayita-pati Visvavasu, sua filha Lalita e Vidyapati. Pelo poder e desejo de Nila-madhava, eles ainda estavam vivos, sendo trazidos até ali em uma carruagem com todas as honrarias. Orando e rogando ao Senhor, “Jay, Jagannatha! Jay Jagannatha! Nila-madhava! Nila-madhava! Oh! Por favor, por favor, seja misericordioso e monte em nossa carruagem”, conseguiram tirar a tora da água e coloca-lá em uma bela carruagem dourada. A tora foi então transportada até o local onde atualmente está
localizado o Templo de Jagannatha.


O rei reservou um amplo salão em um palácio para as deidades serem esculpidas. Convocou todos os carpinteiros da Orissa, dizendo-lhes: “Darei vasta riqueza se conseguirem fazer a vigraha (forma da deidade)”. Desejosos de esculpir a deidade, carpinteiros muito famosos atenderam ao chamado do rei, mas seus instrumentos e ferramentas quebravam-se ao tocar na madeira dura como ferro. Certo dia um brahmanan carpinteiro bem idoso, todavia muito belo, ofereceu-se para esculpir as formas das deidades: “Meu nome é Maharana, sou muito experiente e posso fazer esse
serviço. Dentro de vinte e um dias, meu trabalho estará encerrado, contudo me prometa que manterá a porta do salão fechada. Lá dentro, apenas eu e minhas ferramentas! Após o prazo estipulado, abrirei a porta de modo que você poderá ver a deidade. Em seguida poderá leva-la para o templo e servi-lA e adora-lA”. Na verdade o carpinteiro era o próprio Nila-madhava, ou Jagannatha, na forma de uma brahmana idoso. Assim o rei prometeu: “Está bem, seguirei suas instruções e não abrirei a porta”.

A deidade outra vez se comunicou com o rei através de Sua voz: “Não se preocupe. Há um mistério por trás disso. Meu desejo de manifestar-me assim é fruto de um motivo bem profundo. Mantenha-me no templo sob a forma dessas deidades e passe a adorar-Me”. “Por favor, siga as Minhas ordens”, prosseguiu.


Já no salão com suas ferramentas, o brahmana trancou a porta por dentro. Nos quatorze primeiros dias não se ouviram ruído algum, o que deixou o rei Indradyumna muito preocupado. “O que pode ter ocorrido?” pensou, “este brahmana não tomou nem uma gota de água nem comeu nada esse tempo todo! Acaso terá morrido?”. Era opinião do primeiro ministro que todos deviam respeitar as condições dadas pelo próprio escultor: “Não abram a porta. Há algum mistério por trás disso. Esperemos os vinte e um dias”. No entanto, a rainha Gundica suplicou: “Se você não abrir a porta agora, o Brahma-hatya (o pecado de matar um brahmana). Devemos abrir essa porta o quanto antes!” De tanto ser solicitado pela rainha aflita, o rei acabou cedendo. Mandou chamar seus carpinteiros e pediu- lhes que arrombassem a porta do salão. Dentro do salão, qual não foi a surpresa do rei ao não encontrar sinal algum do brahmana Maharana! As quatro deidades – Jagannatha, Baladeva, Subhadra e Sudarsana cakra – estavam lá, porém inacabadas! Fatava-Lhes boa parte dos braços, pernas e tantos outros detalhes do corpo e do rosto. Seus olhos e narizes, por exemplo, eram apenas dois círculos. Aos prantos, o rei abriu-se com o primeiro ministro: “Cometi uma ofensa ao quebrar minha promessa. Que devo faze agora?” Amargurando, novamente pensou em cometer suicídio.

A deidade outra vez se comunicou com o rei através de sua voz: ” Não se preocupe. Há um mistério por trás disso. Meu desejo de manifestar-me assim é fruto de um motivo muito profundo. Mantenha-Me no templo sob a forma dessas deidades e passe a adorar-Me”.

“Por favor, siga as Minhas ordens”, prosseguiu…“Muitos dayitas da dinastia de Visvavasu Me prestarão serviço ao longo de dez dias do Festival de Ratha-Yatra. Somente eles, e ninguém mais, deverá Me adorar nessa época. Apenas eles levarão Baladeva, Subhadra e Eu, montados em Nossas carruagens, até o Gundica Mandira. Realizem um festival de dez dias a contar de hoje e conduzam as carruagens até o Gundica Mandira – em seguida tragam-Nos de volta para
o nosso templo”.

Trechos do livro The Origin of Ratha-yatra, capítulo primeiro, A primeira história. Por Srila Gurudeva, Sri Srimad Bhaktivedanta Narayna Goswami Maharaja. Esse magnífico livro encontra-se traduzido em português pela Braja editora.

Vocês também podem baixar o livro em inglês em:
http://www.purebhakti.com/resources/ebooks-a-magazines-mainmenu-63/cat_view/31-bhakti-books-
download.html