Sri Srimad Bhakti Prajnana Kesava Gosvami Maharaja

A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada
21 de setembro de 2014
Sri Srimad Bhaktisiddhanta Sarasvati Thakura Prabhupada
21 de setembro de 2014

Sri Srimad Bhakti Prajnana Kesava Gosvami Maharaja

Desenhos-01

 Uma breve biografia, por Srila Bhaktivedanta Narayana Gosvami Maharaja:

Desenhos-02

Sri Srimad Bhakti Prajnana Kesava Gosvami Maharaja

Sri Srimad Bhakti Prajnana Kesava Gosvami Maharaja

N osso Guru Maharaja apareceu em uma família de fazendeiros na famosa vila de Banaripara, no distrito de Jessore, no leste da Bengala. Na ocasião do Seu nascimento, Seu corpo era muito delicado e belo, e por ter uma compleição dourada, sua mãe e todas as senhoras do local deram a Ele o apelido de Jona (que significa “vagalume”). Seu verdadeiro nome era Bhima. Por cerca de três ou quatro meses, Ele não falava ou chorava, e Sua família estava muito preocupada. Então, certa vez, um mendigo muçulmano veio a casa deles esmolar e disse à mãe de Gurudeva: “O seu filho não fala?”

Na ocasião do Seu nascimento, Seu corpo era muito delicado e belo.

Na ocasião do Seu nascimento, Seu corpo era muito delicado e belo.

Ela respondeu: “Como você sabe disso? Se você for capaz, por favor, faça-O falar de alguma forma.”

O mendigo respondeu: “Faça o seguinte: na vila existem alguns “intocáveis”, pessoas da classe de sudras que trabalham nas regiões de cremação . Eles se alimentam com arroz de baixa qualidade que são deixados de molho por toda a noite. Peça um pouco desse arroz deles, alimente sua criança, e então ele falará.”

A mãe de Guru Maharaja era uma mulher muito trabalhadora que, sobretudo, tomava conta de suas terras. Ela disciplinava  com muito rigor seus filhos, e eles jamais podiam ir a qualquer lugar sem sua permissão. Todos a respeitavam. Quando ela se aproximou de uma daquelas famílias de sudras e pediu um pouco daquele arroz, eles disseram:” Como você é capaz de tomar isso? Ele foi tocado por nós!”

Desde Sua infância, os sintomas indicavam que Ele se tornaria uma grande personalidade.

Desde Sua infância, os sintomas indicavam que Ele se tornaria uma grande personalidade.

Ela respondeu:” Não se preocupe, apenas me dê um pouco dele.”

Conseguindo algum arroz, ela o levou para casa e o colocou diante da criança  que imediatamente iniciou um choro”Ma Ma” e começou a falar a partir daí.

Ele não sabia muitos slokas, como alguns devotos, contudo era capaz de dar belíssimas explanações

Ele não sabia muitos slokas, como alguns devotos, contudo era capaz de dar belíssimas explanações

Na sua juventude nosso Gurudeva era muito próximo de seu pai, que era especialmente carinhoso com Ele. Naquele tempo, as pessoas do leste da Bengala eram muito religiosas e as leituras do Bhagavad-gita, do Srimad-Bhagavatam, estavam sempre acontecendo. Logo surgiu uma divisão e isso foi como se o coração da Bengala tivesse sido arrancado. Desde a sua tenra infância, Gurudeva agarrava o dedo do seu pai e o acompanhava nos programas religiosos, e se nessas ocasiões estivesse escuro, Ele se sentava nos ombros de seu pai. Assim, filosofia religiosa tornara-se seu interesse. Existe um provérbio em Hindi que diz: honahara viravana ke hota cikane pata, que significa: quando uma muda de planta crescer e der muitos frutos, suas folhas serão grandes e belas. Eventos vindouros seriam um prenúncio de grandes feitos desta arvore; e desde Sua infância, os sintomas indicavam que Ele se tornaria uma grande personalidade.

Recebi especial misericórdia de Bhagavan tendo a oportunidade de acompanhar nosso Gurudeva em muitos grandes programas, onde Ele palestrava, mantendo-me sempre ao seu lado

Recebi especial misericórdia de Bhagavan tendo a oportunidade de acompanhar nosso Gurudeva em muitos grandes programas, onde Ele palestrava, mantendo-me sempre ao seu lado

Conforme crescia, Ele passava a maior parte do seu tempo na companhia de um grande mahatma que tinham seu asrma na vila. Lá ele escutava leituras do Gita, Bhagavatam e do Vedanta. Quando Ele estava na escola, ainda em uma idade muito jovem, Ele iniciou sua própria revista e sua linguagem era muito erudita. Ele também era um excelente orador e quando falava em grande assembleia, não era necessário auto-falante. Ele não sabia muitos slokas como alguns devotos, contudo era capaz de dar belíssimas explicações.

Os três pilares da Gaudiya Vedanta Samiti

Os três pilares da Gaudiya Vedanta Samiti: Srila Trivikrama Maharaja (à direita), Srila Vamana Gosvami Maharaja, e Srila Narayana Gosvami Maharaja.

Quando Eu me juntei a Matha, recebi especial misericórdia de Bhagavan, tendo a oportunidade de acompanhar nosso Gurudeva em muitos grandes programas, onde Ele palestrava, mantendo-me sempre ao seu lado. Ele deu a meu irmão espiritual senior, Srila Vamana Maharaja, a responsabilidade pela impressão de livros, e sendo um homem muito qualificado, imprimia muitos livros e revistas sequencialmente.

Com a finalidade de ajudar na revista, cozinhar e cuidar de vários serviços, Guruji mantinha-me junto a Ele. O seu estilo de fala e escrita eram maravilhosos, e era grande a minha fortuna por escutar tanto dele! Eu sempre fazia anotações e ficava com Ele como se fosse sua  sombra. Assim como hoje,  Vamana Maharaja, era muito quieto e não falava muito, todavia,  meu querido irmão Trivikrama Maharaja  e eu éramos muito falantes. Nós estávamos sempre engajados em debates sobre diversos tópicos, e quando Guruji ficava cansado de nós, falava: “Pegue esse livro, a resposta está aqui!”  Hoje em dia os devotos não discutem muito sobre tópicos de tattva (conclusões filosóficas). Ao invés disso, falam sobre o tipo de roupa que estão vestindo e que tipo de comida comerão. Quando Vaisnavas se encontram, devem debater sobre tattva, e esta era a nossa grande fortuna, ouvir discussões sobre bhakti-tattva de devotos muito eruditos! Mas hoje em dia, raramente alguém usa seu tempo discutindo o significado das escrituras.

Quando Vaisnavas se encontram, devem debater sobre tattva, e esta era a nossa grande fortuna, ouvir discussões sobre bhakti-tattva de devotos muito eruditos!

Quando Vaisnavas se encontram, devem debater sobre tattva, e esta era a nossa grande fortuna, ouvir discussões sobre bhakti-tattva de devotos muito eruditos!

Guruji era tão inteligente e tinha tanto poder na sua fala, que podia transformar sim em não,  e não em sim, era impressionante! Sem tais devotos a pregação não continuaria. Se um de nós quiséssemos escrever e publicar alguma coisa, tínhamos que pesquisar em muitos, muitos livros e editarmos tal publicação muitas vezes; mesmo se cinco de nós estivéssemos trabalhando juntos, ainda assim tínhamos dificuldade de escrever alguma coisa.

Mas o que fazia Guru Maharaja? No Parikrama anual de Navadvipa, cinco ou sete mil devotos vinham oferecer pranamas a Ele, que falava com muitos deles! De alguma forma, no meio de toda essa comoção, Ele simultaneamente ditava um artigo para sua revista, para Vamana Maharaja. Não existia sequer necessidade de checar isso; imediatamente estava pronto para ser impresso! Era incrível como ele nunca tinha que revisar nenhum livro. Quando um de nós se preparava para falar algo, nós tínhamos primeiro que pesquisar em muitos livros. E quando ouvíamos alguém falar ou ler algo, precisávamos anotar a fim de reter. Mas Guru Maharaja em toda sua vida nunca anotou nada. Ele lia muitos livros- sua livraria está aqui  na Matha (em Mathura)- mas Ele nunca anotava nada. E Ele conhecia muito sobre História; nenhum acarya conhecia mais historia do que Ele. Srila Bhaktisiddhanta Prabhupada muito belamente O chamava  de “Erudito no Vedanta”.

Guru Maharaja foi da Bengala Ocidental para estudar em uma antiga e famosa faculdade próximo a Calcutá. Muitos grandes eruditos estudaram lá, mas as vagas não eram garantidas a todos. Devido a sua inteligência superior, ele foi admitido. Em seu primeiro ano, o diretor e professor convocam-no para ler o Caitanya-caritamrta para eles. Caitanya-caritamrta foi composto em bengali, mas não existe nenhum livro em sânscrito que possa se igualar a sua elevada linguagem filosófica poética.

jivera svarupa haya – krsnera nitya-dasa
krsnera tatastha-sakti, bhedabheda-prakasa

Sri Caitanya-caritamrta (Madhya-lila 20.108)

“A forma inerente das jivas é de serva eterna de Sri Krsna. A jiva é a potência marginal de Krsna, e portanto, simultaneamente igual e diferente Dele.”

O diretor e os professores eram incapazes de explicar este verso. Mesmo em nossa sampradaya, você encontrará pouquíssimos devotos capazes de explicá-lo apropriadamente. Assim, nosso gurudeva tinha discussões filosóficas com eles, e por fim, ele deixou a universidade dizendo: “Até mesmo os professores daqui não entendem nada, então, o que eles poderão me ensinar?”

Guruji era um jogador de futebol, e perito em todos os assuntos. Ele era um “faz-tudo”. Ele era perito em esportes, em estudar, em lutar, em administrar pessoas e em palestrar muito docemente. Com apenas dezesseis anos ele administrava todos os inquilinos das terras de seu pai. Primeiro, ele veio para a Caitanya Matha (templo) em Mayapura com essa idade, e desejou receber harinama e diksa (iniciacões) de Srila Bhaktisiddhanta Prabhupada. Durante algum tempo, ele voltou para casa e frequentou a universidade, mas quando completou dezoito anos, ele retornou para a Matha com a sua tia. Ela era uma senhora muito erudita e juntos, compunham belíssimos poemas e artigos. Certa vez, enquanto conversavam em Mayapura, Srila Bhaktisiddhanta Prabhupada disse: “Nós faremos parikrama (peregrinacão) por todo o planeta e fundaremos uma Matha atrás da outra. Na Inglaterra (América)  e em todos os locais sagrados da Índia tais como Haridvara, Prayaga, Vrindavana, Kasi e no Sul da Índia, a pregacão irá se espalhar.

Então, a tia de Guruji disse: “Você está sonhando muito alto! Como um homem pobre que esmola um saco rasgado de alguém, coloca-o sobre sua cabeca e cai no sono. Enquanto dorme, sonha: ‘Oh, sou um milionário! Sou um imperador!’ Quem fará tudo isso?”

Srila Bhaktisiddhanta Prabhupada respondeu: “Vinoda (nome de Srila Bhakti Prajnana Kesava Maharaja quando era um brahmacari) fará isso.”

Após este incidente, Guru Maharaja permaneceu na Matha, e não retornou mais para a sua casa. Ele tinha todos os sintomas de uma grande personalidade em seu corpo. Sua forma era suave como uma manteiga, seus bracos se estendiam até os joelhos e todos os sinais auspiciosos estavam em suas mãos. Ele tinha “dedos de artista”, bem longos e finos.  Pela manhã, ele ingeria um simples punhado de arroz com sal e então saia para trabalhar duro e coletar doacões para a Matha durante todo o dia. Ele coletava uma paisa de cada pessoa,  algo maior do que coletar uma quantia de alguém. Ele ia para os locais lotados, tais como estacões de ônibus e trem, falava sobre a doutrina de Mahprabhu para as pessoas, e coletava apenas uma paisa de cada pessoa. Ele mantinha esse dinheiro guardado em uma caixa que tinha um furo em cima para moedas e a chave ficava com Srila Bhaktisiddhanta Prabhupada. Ele fazia isso até o pôr do sol, sem sequer comer nada mais.

Certa ocasião, Srila Bhaktissidhanta Prabhupada estava dirigindo o seu carro em Calcutá, e ele viu Vinoda descansando sob uma árvore com essa caixa como travesseiro. Lágrimas vieram em seus olhos, e ele disse: “Tal belo jovem garoto de uma família rica, com apenas dezoito anos de idade. Por mim e pelo servico a Bhagavan, ele deixou seus parentes e está sofrendo muitas dificuldades. Quando Gurudeva retornou para a Matha nesta noite, Srila Bhaktissidhanta Prabhupada chamou ele e disse: “Vinoda, você estava dormindo debaixo de uma árvore em Garimata? Você está passando por tantas dificuldades”.

Guruji respondeu: “Não, essas dificuldades são a maior felicidade se você estiver satisfeito comigo. Isso é tudo para mim. O que mais eu posso desejar? Se guru está satisfeito, então Bhagavan está satisfeito. Não existe nada mais elevado do que isso”.

Por Srila Bhaktivedanta Narayana Gosvami Maharaja

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