Sri Srimad Bhaktisiddhanta Sarasvati Thakura Prabhupada

Sri Srimad Bhakti Prajnana Kesava Gosvami Maharaja
21 de setembro de 2014
Srila Gaura Kisora Dasa Babaji Maharaja
21 de setembro de 2014

Sri Srimad Bhaktisiddhanta Sarasvati Thakura Prabhupada

Desenhos-01
Desenhos-02

Sri Srimad Bhaktisiddhanta Sarasvati Thakura Prabhupada

Sri Srimad Bhaktisiddhanta Sarasvati Thakura Prabhupada

S rila Bhaktisiddhanta Sarasvati foi uma das dez crianças nascidas de Bhaktivinoda Thakura, um grande mestre Vaisnava na linhagem de sucessão discipular do Senhor Caitanya. Enquanto vivia em uma casa chamada Narayana Chata, bem perto do templo do Senhor Jagannatha em Puri, Bhaktivinoda Thakura foi contratado para ser um proeminente magistrado distrital, e também atuava como superintendente no templo do Senhor Jagannatha. No entanto, apesar dessas responsabilidades, ele serviu a causa de Krisna com uma energia extraordinária! Enquanto trabalhava para reformar o Gaudiya Vaisnavismo na India, ele orava ao Senhor Caitanya: “Seus ensinamentos foram muito depreciados e não tenho poder para restaurá-los.” Dessa forma, ele orava por um filho para ajudá-lo em sua missão de pregação. Quando, em 06 de fevereiro de 1874, Bhaktisiddhanta Sarasvati nasceu de Bhaktivinoda e Bhagavati Devi em Jagannatha Puri, os Vaisnavas consideraram que esta era a resposta às orações de seu pai. Ele nasceu com o cordão umbilical enrolado no pescoço, posto sobre o peito, assim como o cordão sagrado usado pelos brahmanas.

Bimala Prasada

Bimala Prasada

Seis meses depois que a criança nasceu, Bhaktivinoda fez os arranjos para a cerimônia annaprasana que seu filho se submeteria, com a prasada de Vimala Devi, e, sendo posteriormente nomeado de Bimala Prasada. Na mesma época, os carros do festival do Senhor Jagannatha pararam no portão da residência de Bhaktivinoda e durante três dias não pode ser movido. A esposa de Bhaktivinoda Thakura trouxe a criança para o carro e se aproximou da deidade do Senhor Jagannatha. Espontaneamente, a criança estendeu os braços e tocou os pés do Senhor Jagannatha e foi imediatamente abençoada com uma guirlanda, que caiu do corpo do Senhor. Vendo isso, os sacerdotes cantaram o nome de Sri Hari e disseram à mãe da criança que o menino certamente se tornaria um grande devoto. Quando Bhaktivinoda Thakura soube que a guirlanda do Senhor havia caído sobre seu filho, ele realizou que este era o filho pelo qual ele havia orado.

Seu querido pai, Srila Bhaktivinoda Thakura, orava por um filho para ajudá-lo em sua missão

Seu querido pai, Srila Bhaktivinoda Thakura, orava por um filho para ajudá-lo em sua missão

Bimala Prasada ficou em Puri por dez meses após seu nascimento e, em seguida, foi para Bengala por intermédio de um palanquim no colo de sua mãe. Ele passou sua infância em Ranaghat, distrito de Nadia, ouvindo tópicos sobre Sri Hari no colo de sua mãe.

Bhaktivinoda e sua esposa eram ortodoxos e virtuosos; eles nunca permitiam que seus filhos comessem qualquer coisa que não fosse prasada, nem se associassem com más companhias. Um dia, quando Bimala Prasada ainda era uma criança com cerca de quatro anos, seu pai o repreendeu por comer uma manga ainda não devidamente oferecida ao Senhor Krisna. Bimala Prasada, embora fosse apenas uma criança, considerava-se um ofensor ao Senhor e jurou nunca mais comer mangas novamente. (Este foi um voto que ele seguiria por toda sua vida.) No momento que Bimala Prasada tinha sete anos de idade, ele já havia memorizado todo o Bhagavad-gita e até poderia explicar os seus versos. Seu pai então começou a treiná-lo no trabalho de revisão e impressão, juntamente com a publicação da revista Vaisnava Sajjana-Tosani.

Bhagavati Devi, sua amada mãe- Ele passou sua infância ouvindo tópicos sobre Hari  no colo de sua mãe

Bhagavati Devi, sua amada mãe- Ele passou sua infância ouvindo tópicos sobre Hari no colo de sua mãe

Em 1881, no curso de escavação para a construção do Bhakti bhavana em Rambagan, Calcutá, uma Deidade de Kurmadeva foi desenterrada. Depois de iniciar o seu filho de sete anos, Bhaktivinoda confiou a Bimala o serviço à Deidade de Kurmadeva.
Em 01 de abril de 1884, Bhaktivinoda foi nomeado o Deputado Magistral mais antigo de Serampore, onde admitiu Bimala na escola de Serampore. Quando Bimala ainda era um mero estudante da quinta série, ele inventou um novo método de escrita chamado Bicanto. Durante este período, ele teve aulas de matemática e astrologia do Pandita Mahesacandra Cudamoni. No entanto, ele preferia ler livros devocionais, em vez de textos escolares.

Em 1892, depois de passar no exame de admissão, Bimala foi aceito na Universidade de Sânscrito em Calcutá. Lá, ele passava um tempo considerável na biblioteca estudando vários livros de filosofia. Ele também estudou os Vedas sob a orientação de Prthvidhara Sarma. Como estudante, ele contribuiu com muitos artigos essenciais para diversas revistas religiosas. No entanto, ele não continuou com seus estudos universitários por muito tempo.

Em 1897, ele começou independentemente uma Catuspathi (escola sânscrito) de onde vinham revistas mensais intituladas “Jyotirvid”, “Brihaspati”, e muitos tratados antigos sobre astrologia foram publicados. Em 1898, enquanto lecionava no Sarasvata Catuspathi, estudou Siddhanta Kaumudi sob a guia de Prthvidhara Sarma, em Bhakti bhavana. Até o momento em que tinha vinte e cinco anos, tornou-se versado em sânscrito, matemática e astronomia, e estabeleceu-se como o autor e editor de muitos artigos de revistas de um livro antigo, Surya-siddhanta, recebendo o título de “Siddhanta Sarasvati”, em reconhecimento à sua erudição.

Em 1895 Sarasvati Gosvami foi aceito no serviço do Governo Real de Tripura como um editor para a biografia intitulada Rajaratnakara, as histórias de vida da linhagem real do independente Reinado Tripura. Mais tarde, lhe foi confiada a responsabilidade de educar o Yuvaraja Bahadur e Rajkumar Vrajendra Kisore, em bengali e sânscrito.

Srila Bhaktisiddhanta Sarasvati Thakura foto

Srila Bhaktisiddhanta Sarasvati Thakura foto

Depois de um curto período de tempo, Siddhanta Sarasvati assumiu a responsabilidade de inspecionar várias atividades em curso no palácio real para o estado de Tripura. No entanto, depois de se deparar com inveja, maldade e corrupção em todos os cantos de sua inspecção, Siddhanta Sarasvati muito rapidamente desenvolveu uma aversão para com assuntos do Estado e notificou a sua intenção de retirar-se para Maharaja Radhakisor e Manikya Bahadur. O Maharaja aprovou os planos de Siddhanta Sarasvati de renúncia e lhe concedeu pensão completa. No entanto, depois de três anos Siddhanta Sarasvati também renunciou à sua pensão. Com seu pai, ele visitou muitos tirthas (locais sagrados) e ouviu discursos dos panditas eruditos. Em outubro de 1898 Siddhanta Sarasvati acompanhou Bhaktivinoda em uma peregrinação em Kasi, Prayaga, Gaya e outros lugares sagrados. No Kasi ocorreu uma discussão com Ramamisra Sastri sobre a sampradaya Ramanuja. Após esta conversa, a vida de Siddhanta Sarasvati transformou-se, sua inclinação à renúncia aumentou, e ele tranquilamente continuou a procurar por um guru.

Quando Siddhanta Sarasvati tinha vinte e seis anos, seu pai, compreendendo a mente de seu filho, o orientou a tomar iniciação de um Santo Vaisnava renunciado, chamado Gaura Kisora Dasa Babaji. Gaura kisora dasa Babaji era a personificação de vairagya (renúncia) e era muito seletivo quanto a conceder diksa (iniciação). Ele vivia debaixo de uma árvore perto das margens do Ganges e usava roupas abandonadas por pessoas que já haviam falecido, junto a um pano na cintura (kaupina). Geralmente, ele comia arroz branco encharcado de água do Ganges, com pimenta e sal. Às vezes ele utilizava potes de barro descartáveis, e depois de lavá-los corretamente ele cozinhava arroz neles, oferecia a Krisna, e em seguida, tomava prasada.

Seguindo o conselho de seu pai, Siddhanta Sarasvati foi até Gaura kisora dasa e implorou-lhe para ser aceito como seu discípulo. Gaura Kisora respondeu que ele não seria capaz de dar diksa a menos que recebesse aprovação do Senhor Caitanya. No entanto, quando Siddhanta Sarasvati retornou, Gaura kisora disse que tinha esquecido de perguntar ao Senhor Caitanya. Na terceira visita, Gaura kisora declarou que o Senhor Caitanya havia dito que erudição é extremamente insignificante em comparação a devoção ao Senhor Supremo.

Seu Mestre espiritual, Srila Goura Kisora Dasa

Seu Mestre espiritual, Srila Goura Kisora Dasa

Ouvindo isso Siddhanta respondeu que este Gaura Kisora era o servo de Kapatacudamani (o enganador Supremo), portanto, ele deveria estar testando Sarasvati por negar seu consentimento. No entanto, Siddhanta Sarasvati permaneceu firmemente determinado e reparou que Ramanuja Acarya tinha sido enviado de volta dezoito vezes antes de finalmente receber a graça de Gosthipurna; assim também ele aguardaria pacientemente até o dia em que Gaura Kisora outorgaria suas bênçãos sobre ele. Vendo o compromisso de Sarasvati, Gaura Kisora ficou impressionado, e deu-lhe diksa no bem-aventurado bosque de Godruma, dizendo-lhe: “Pregue a Verdade Absoluta e deixe de lado todos os outros trabalhos.”

Ele se dissociou completamente e passou a realizar um bhajana solitário

Ele se dissociou completamente e passou a realizar um bhajana solitário

Em março de 1900 Sarasvati acompanhou Bhaktivinoda em uma peregrinação de Balasore, Remuna, Bhuvanesvara, e Puri. Como instruído por Bhaktivinoda, Sarasvati deu palestras sobre o Caitanya Caritamrta com significados profundos. Através da iniciativa de Bhaktivinoda Thakura, o fluxo de bhakti pura novamente começou a inundar o mundo. Depois do desaparecimento do Senhor Caitanya um período de trevas se seguiu, na qual o rio de bhakti havia sido sufocado e estava praticamente seco. O final desse período foi provocado pela pregação destemida de Bhaktivinoda Thakura. Ele escreveu uma série de livros sobre o siddhanta de suddha-bhakti (devoção pura) e publicou vários periódicos religiosos. Ele inspirou muitos a receber o serviço ao Senhor Gauranga e fundou vários Nama- hattas e Prapanna-ashram (centros Gaudiya Matha).

Em 1905 Siddhanta Sarasvati fez um voto de cantar o mantra Hare Krisna um bilhão de vezes. Residindo em Mayapur em uma cabana feita de grama, próximo ao local de nascimento do Senhor Caitanya, ele cantava o mantra dia e noite. Ele cozinhava arroz uma vez por dia em um pote de barro e não comia nada mais; ele dormia no chão, e quando a água da chuva vazava através do teto de grama, ele se sentava debaixo de um guarda-chuva, cantando.

Em 1912, Manindra Nandi (o Maharaja de Kasimbazar) organizou a celebração de um grande Vaisnava Sammilani em seu palácio. A pedido específico do Maharaja, Sarasvati Gosvami participou do Sammilani e proferiu quatro breves discursos sobre suddha-bhakti em quatro dias consecutivos. No entanto, ele não tomou qualquer alimento durante o Sammilani por causa da presença de vários grupos de sahajiyas. Após jejum de quatro dias, Sarasvati Gosvami veio a Mayapura e tomou a prasada do Senhor Caitanya. Mais tarde, quando Maharaja Manindra Nandi percebeu o que tinha acontecido, ele se sentiu profundamente ofendido e veio a Mayapura para pedir desculpas a Siddhanta Sarasvati.

Durante esse tempo a Bengala estava cheia de seitas sahajiyas, como Aul, Baul, Kartabhaja, Neda-Nedi, Daravesa, Sain etc, que seguiam práticas mundanas em nome do espiritualismo. Siddhanta Sarasvati lançou um forte ataque contra as seitas irreligiosas e não poupou ninguém que não seguisse os ensinamentos do Senhor Caitanya. Mesmo algumas pessoas conhecidas que ostentavam o sobrenome de Gosvamis patrocinavam essas seitas sahajiyas durante esse período.

Siddhanta Sarasvati ficou profundamente entristecido ao ver esses grupos de sahajiyas prakrita, com o aspecto de gurus paramahamsa Gosvami, enganando o povo. Assim, ele se dissociou completamente e passou a realizar um bhajana solitário. Certa vez, durante esse período de solidão, o Senhor Caitanya junto aos seis Gosvamis, se manifestou repentinamente diante da visão de Siddhanta Sarasvati e disse:

“Não desanime! Assuma a tarefa de restabelecer o varnasrama com novo vigor e pregue a mensagem de amor de Sri Krisna por toda parte!”
Depois de receber esta mensagem, Sarasvati Gosvami estava cheio de inspiração para pregar as glórias do Senhor Caitanya com muito entusiasmo!

Em 1911, enquanto seu velho pai estava adoecido de cama, Siddhanta Sarasvati assumiu o desafio contra os pseudo Vaisnavas que alegavam que o nascimento em detreminada casta era o pré-requisito para pregar a consciência de Krisna. A comunidade de brahmanas tornara-se indignada com a apresentação que Bhaktivinoda Thakura fez de muitas provas bíblicas de que qualquer pessoa, independentemente de nascimento, poderia tornar-se um brahmana-Vaisnava. Estes smarta brahmanas, para provar a inferioridade dos Vaisnavas, organizaram uma discussão. Em honra ao seu pai indisposto, o jovem Siddhanta Sarasvati escreveu o ensaio: “A Diferença Conclusiva entre o Brahmana e o Vaisnava”, e o apresentou diante de seu pai. Apesar de sua saúde debilitada, Bhaktivinoda Thakura estava exultante em ouvir os argumentos que derrotariam perfeitamente o desafio dos smartas.

Sarasvati Gosvami estava cheio de inspiração para pregar as glórias do Senhor Caitanya com muito entusiasmo!

Sarasvati Gosvami estava cheio de inspiração para pregar as glórias do Senhor Caitanya com muito entusiasmo!

A pedido de Madhusudana dasa Goswami de Vrindavana e Visvambharananda deva Goswami de Gopiballabhapur, Siddhanta Sarasvati viajou para Midnapur, onde panditas de toda a India se reuniriam para um debate de três dias. Alguns dos panditas smartas que falaram primeiro alegavam que qualquer pessoa nascida em uma família de sudras, embora iniciada por um mestre espiritual, nunca poderia tornar-se purificada e vir a exercer as funções brahminicas de adoração à deidade, ou iniciar discípulos. Finalmente, Siddhanta Sarasvati apresentou seu discurso. Ele começou citando referências védicas em glorificação aos brâmanas, e os smartas eruditos ficaram muito satisfeitos. Mas quando ele começou a discutir as qualificações reais para se tornar um brahmana, as qualidades do Vaisnava, a relação entre os dois, e sobre quem, segundo a literatura védica, é qualificado para se tornar um mestre espiritual e iniciar discípulos, a alegria dos inimigos dos Vaisnavas desapareceu. Siddhanta Sarasvati provou conclusivamente, através das escrituras, que se alguém nascer como um sudra mas apresentar qualidades de um brahmana, então ele deve ser honrado como um brahmana, apesar de seu nascimento. E, se alguém que não tenha nascido em uma família de brahmanas está agindo como um sudra, então ele não é de fato um brâmana. Após seu discurso, Siddhanta Sarasvati foi felicitado pelo presidente da conferência, e milhares de pessoas se aglomeravam em torno dele. Foi uma vitória para o Vaisnavismo!

Srila Bhaktisiddhatnta e  a publicação de livros

Srila Bhaktisiddhatnta e a publicação de livros

Bhaktivinoda Thakura faleceu em 1914, no dia do desaparecimento de Gadadhara Pandita. Na véspera do seu desaparecimento Bhaktivinoda instruiu seu filho a pregar os ensinamentos dos seis Gosvamis e do Senhor Caitanya por toda parte. Ele também pediu que Siddhanta Sarasvati revelasse o local de nascimento do Senhor Gauranga. Mãe Bhagavati Devi desapareceu alguns anos mais tarde. Antes de seu falecimento, ela segurou as mãos de Sarasvati Gosvami implorando-lhe para pregar as glórias do Senhor Gauranga e de Seu dhama. Aceitando as instruções de seus pais como seu principal dever, Sarasvati Goswami assumiu esta tarefa de pregar com entusiasmo intenso e força.

Aceitando o voto de renúncia (sannyasa) em 1918

Aceitando o voto de renúncia (sannyasa) em 1918

Com o falecimento de seu pai, e de seu mestre espiritual um ano depois, Siddhanta Sarasvati continuou a missão do Senhor Caitanya. Ele assumiu a editoria de Sajjana-Tosani e estabeleceu a gráfica Bhagvat em Krishnanagar. Então, em 1918, em Mayapur, sentou-se diante de um quadro de Gaura Kisora Dasa Babaji e iniciou-se na ordem sannyasa. Nesta época, ele assumiu o título de sannyasa “Bhaktisiddhanta Sarasvati Gosvami Maharaja”.

Bhaktisiddhanta Sarasvati dedicou-se a utilizar a imprensa como o melhor meio para a distribuição em grande escala da consciência de Krisna. Pensou na imprensa como uma “mrdanga brhat”, uma grande mrdanga. O tambor mrdanga tocado durante o kirtana pode ser ouvido a uma quadra ou duas, enquanto que com o mrdanga brhat, a imprensa, a mensagem do Senhor Caitanya pode ser espalhada por todo o mundo.

Rohinikumar Ghosh, um sobrinho da Justiça Candramadhava Ghosh do Supremo Tribunal de Calcutá, e originalmente residente de Bhola em Barisal (agora em Bangladesh), decidiu renunciar ao mundo e ocupar-se em Hari- bhajana. Com esse objetivo em mente, ele veio para Kulia em Navadvipa, onde ele levava a vida de um Baul. No entanto, desprezava as práticas dos sevadasis que prevaleciam entre a seita Baul. Certa vez, ocorreu de Rohini Ghosh vir para o Yogapitha (localde nascimento de Sri Caitanya Mahaprabhu) quando Sarasvati Gosvami estava dando uma palestra lá. Rohini ficou encantado ao ver a aparência luminosa de Sarasvati Gosvami e fascinado por suas palavras. Mais tarde, naquela noite, após passar o dia inteiro ouvindo os ensinamentos de Sarasvati Gosvami, Rohini retornou ao ashram de seu guru Baul em Kulia. Sem tomar qualquer prasada, Rohini descansou contemplando as lições sobre suddha-bhakti que tinha ouvido naquele dia. Em seu sonho Rohini viu o Baul e sua consorte aparecerem diante dele na forma de um tigre e uma tigresa que estavam prestes a devorá-lo. Tremendo de medo, Rohini desesperadamente chamou pelo Senhor Caitanya. De repente Rohini se viu sendo resgatado das garras dos tigres por Bhaktisiddhanta Sarasvati. A partir desse dia Rohini deixou o guru Baul para sempre e se abrigou aos pés de Sarasvati Goswami.

Bhaktisiddhanta Sarasvati em missão de pregação

Bhaktisiddhanta Sarasvati em missão de pregação

Annada Prasad Datta, o irmão mais velho de Sarasvati Gosvami, sofria com fortes dores de cabeça, pouco antes de seu desaparecimento. No dia do desaparecimento de Annada, Sarasvati Gosvami permaneceu ao seu lado durante toda a noite, cantando Harinama. Antes que Annada partisse, ele por instantes recuperou a consciência e começou a se desculpar com Sarasvati Gosvami, que simplesmente o encorajava a lembrar-se do Santo Nome do Senhor. De repente, a marca de tilaka da Ramanuja sampradaya se tornou claramente visível na testa de Annada. Annada explicou que, em seu nascimento passado ele tinha sido um Vaisnava que pertencia à seita Ramanuja. Mas devido a cometer uma ofensa aos pés de Sarasvati Thakura, Annada teve de renascer. No entanto, como resultado de seu mérito passado, ele teve a sorte de nascer na família de Bhaktivinoda. Após terminar sua relato, Annada deu seu último suspiro.

Certa vez, em um dia que precedia o Janmastami no mês Bengali de Bhadra, Sarasvati Goswami estava executando bhajana em Mayapura mas sentia-se perturbado por ser incapaz de conseguir leite para oferecer à Deidade. Tão logo ele começou a pensar desta maneira, ele castigou a si mesmo: “Eu estou pensado dessa maneira para o meu próprio benefício? Isso está errado.” Era o período da estação das monções e por causa disso, o local de nascimento do Senhor Caitanya estava coberto de água e estava totalmente inacessível, exceto através de barco. No entanto, naquela tarde, um leiteiro apareceu por lá caminhando pela água e lama, carregando uma grande quantidade de leite, ksira, manteiga, queijo cottage, etc. Aparentemente, um zamindar chamado Harinarayana Cakravarti, guiado pelo Senhor Caitanya, tinha enviado o leiteiro com toda os itens.

Sendo humildes como uma folha de grama e tolerantes como uma árvore, constantemente glorifiquem Hari

Sendo humildes como uma folha de grama e tolerantes como uma árvore, constantemente glorifiquem Hari

Depois de oferecer tudo à Deidade, os devotos honraram prasada com alegria. Sarasvati Thakura ficou surpreso ao ver tanta Prasada e os Devotos explicaram o que tinha acontecido. Após tomar prasada, Siddhanta Sarasvati humildemente recorreu ao Senhor: “Estou muito triste por ter causado a Você tantos problemas. Por que eu tive tal pensamento desnecessário? Para preencher o meu desejo Você inspirou tal pessoa e providenciou tudo para que ela mandasse essas coisas. “

O mundo ficou impressionado ao ver o poder sobrenatural de Sarasvati Goswami. Muitas pessoas de educação nobre e famílias altamente respeitáveis foram atraídas por ele e, assim, dedicavam-se ao serviço do Senhor Gauranga. Entre 1918 e 1937, Bhaktisiddhanta Sarasvati fundou sessenta e quatro Mathas de suddha-bhakti nos seguintes locais: Navadvipa, Mayapura, Calcutá, Chaka, Mymensingh, Naryanaganj, Chittagong, Midnapore, Remuna, Balasore, Puri, Alalanatha, Madras, Covoor, Delhi, Patna, Gaya, Lucknow, Varanasi, Haridwar, Allahabad, Mathura, Vrndavana, Assam, Kurukshetra, e fora da India, em Londres e Rangoon. Sarasvati Gosvami instituiu a Gaurapadapitha em Nrsimhacala, no topo da colina Mandara, e em vários lugares no sul da India. Ele iniciou vinte e cinco pessoas altamente qualificadas em sannyasa Bhagavata Tridandi.

Sarasvati Gosvami publicou as seguintes revistas sobre Suddha-bhakti em diferentes idiomas:
1- Sajjanatosani (revista quinzenal em Bengali)
2- A Harmonist (uma revista quinzenal em Inglês)
3- Gaudiya (um semanário em Bengali)
4- Bhagavata (uma revista quinzenal em Hindi)
5. Nadiya Prakasa (revista diária em Bengali)
6- Kirtana (uma revista mensal)
7- Paramarthi (em Oriya)

Além disso, ele publicou um grande número de livros Vaisnavas. Na verdade, ele anunciou uma nova era no mundo espiritual. Delegou sannyasis tridandis bem treinados para pregar a mensagem do Senhor Gauranga em todo o mundo. Durante seis anos, ele continuou a supervisionar este trabalho de pregação e quando ele concluiu que sua missão tinha chegado ao objetivo esperado até um nível razoável, ele decidiu entrar em seu serviço eterno ao Senhor Gauranga (abandonar seu corpo material).

Ele recomendou a todos os Vaisnavas que lessem esses livros: Caitanya Bhagavata (por Vrindavana Dasa Thakura), Dasamula Siksa (por Bhaktivinoda Thakura), Sri Krisna Bhajanamrta (por Narahari Sarkara) e Prema Bhakti Candrika (por Narottama dasa Thakura). De acordo com outros, os livros eram: Prema Bhakti Candrika, Prarthana (por Narottama dasa Thakura) e Upadesamrta (por Rupa Gosvami).

Poucos dias antes de seu desaparecimento, Bhaktisiddhanta Sarasvati chamou seus principais discípulos e inundou todos os seus devotos com suas bênçãos. Ele lhes deu as seguintes instruções:

“Com o mais elevado entusiasmo preguem a mensagem de Rupa e Raghunatha! Nosso objetivo final é tornar-se uma partícula de poeira tocando os pés de lótus dos seguidores de Rupa Gosvami. Todos vocês permaneçam unidos em fidelidade ao mestre espiritual (asraya-vigraha), a fim de satisfazer os sentidos da Entidade Transcendental do Conhecimento Não-Dual. Não abandonem a adoração a Hari, mesmo em meio a centenas de perigos, centenas de insultos ou centenas de perseguições! Não se tornem desanimados ao verem que a maioria das pessoas no mundo não estão aceitando a mensagem de adoração sincera a Krisna. Nunca abandonem a glorificação acerca dos tópicos de Krisna, eles são seu próprio bhajana e sua própria vida. Sendo humildes como uma folha de grama e tolerantes como uma árvore, constantemente glorifiquem Hari. “

Nas primeiras horas do dia 01 de janeiro de 1937, Bhaktisiddhanta Sarasvati Gosvami veio a falecer.

Srila Bhaktisiddhanta Sarasvati Thakur e seus discípulos

Srila Bhaktisiddhanta Sarasvati Thakur e seus discípulos